Os membros da capela invisível
pastoral dia 28_Agosto
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boa leitura
Sou pastor de congregação. Pastoreio a quase dez anos. Esse
é o ofício dentro da igreja de Jesus Cristo para que fui designado. Normalmente esse ofício tem o seu clímax num
templo. Eu e outros colegas de ministério gostamos muito quando o templo está
cheio de gente. Principalmente quando temos um bom número de novos
participantes. Grande parte dos meus amigos se sentem frustrados quando a “casa
de Deus” não está cheia.
O ponto de partida para as visitas semanais começa pelos
ausentes dos domingos. Normalmente é nesse nicho que reside a grande parcela do
trabalho de visitas. Foi assim comigo por um tempo. Ainda é com alguns pastores
pelo Brasil a fora. Há sempre um irmão que nos lembra da ausência de um o
outro. É aqui que começa a história das catedrais invisíveis ou a reunião dos
desigrejados.
Em tese, desigrejados é um termo que não poderia existir
dentro de alguns escopos religiosos. Principalmente na tradição calvinista. Por
um princípio básico desta tradição, a perseverança dos salvos não depende dos salvos.
O termo desigrejado só pode ser usado pelos irmãos que creem que a perseverança
do salvo é trabalho do salvo em mantê-la. Bom, em termos de evangelho no
hemisfério sul são a maioria.
A minha tradição teológica diz que o desigrejado não existe.
Existe o destemplado. Neologismo por neologismo, deixem-me criar o meu.
Destemplado não frequenta a comunidade local. Aliás boa parte deles frequenta
mais de uma dúzia de comunidades locais. Ele não está ligado a nenhum grupo e
ao mesmo tempo está ligado a todos os grupos.
Estes destemplados, estão a seu modo, frequentando as
catedrais invisíveis. Alguns estão conectados as catedrais virtuais, outros se
encontram nos bares, parques, lanchonetes, praças, ruas, estações de metrô.
Contudo estão estabelecendo suas conexões fora dos templos tradicionais.
Se você se encontra nesta situação preciso alertar você para
alguns perigos. Contudo deixe-me falar das vantagens. Talvez a maior e a mais
importante vantagem seja o fato de que você não está limitado a um grupo ou
tradição. Você consegue, assim em parte, mal comparando mesmo, ser um nômade
como o Espírito Santo o é. Ele não tem denominação e não está preso a uma
tradição. Você também não.
Os perigos são muitos, mas listo também um que considero o
grande perigo. Você está andando só, sem vínculos históricos de amizade e
mutualidade da fé nas celebrações dominicais. Essa sua escolha pode gerar um
estilo de vida libertino (que é muito diferente de vida em liberdade).
Normalmente você não tem vivido uma vida contábil. Explico isso. Você não
presta contas a ninguém, não há o medo da disciplina comunitária, nem o
respeito pela decisão do grupo. Essa sua liberdade tem um preço e geralmente a
fatura aparece na incoerência do que você diz crer com o que de fato faz. Sem
parâmetros e sem o olhar da comunidade você corre perigo!
Qual o caminho possível?
Creio que as denominações não duraram muito tempo. A igreja
local está fortalecida, possui recursos humanos e não depende muito das grandes
convenções para arcar com as suas despesas. As igrejas independentes juntas já
são a maior grupo religioso no Brasil. Eles Perdem apenas para a Igreja
Católica Apostólica Romana e para a Assembleia de Deus.
O caminho possível é a compreensão por parte dos meus
colegas pastores e de seus líderes que haverá entre nós gente que não vai
torna-se membro. Vão orbitar em vários lugares. São nossos irmãos. Virão e
irão. Isso é um fato. Não adianta nominá-los de “moscas de padaria”. Alguns
irão ficar bom um bom tempo. Mas não vão desfazer as malas.
Quanto a você que está sem uma comunidade local, resta
encontrar um irmão ou irmã idônea para prestar contas. Você vai continuar a frequentar
as catedrais invisíveis. Contudo negar a importância da igreja local, ou
militar contra ela é bobagem. Pare com isso. Da mesma forma que a sua condição
hoje é uma realidade a igreja local também o é.
Chegamos a um ponto da história da igreja evangélica no
Brasil que teremos que revisionar a nossa eclesiológia. Se não consideramos que
há as catedrais invisíveis, vamos continuar empurrando gente para os guetos da
fé.
Bom domingo, para você que vai a uma catedral invisível ou a
você que resolveu levantar e ir a uma igreja com CEP.

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