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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Fábrica de Eduardo Cunha em série











Como fabricamos Eduardo Cunha em série





Mario Sérgio conti escreveu um artigo na Folha de São Paulo um dia depois da cassação do ex-deputado federal Eduardo Cunha. Ele conta como o Eduardo foi apresentado pelo PC Farias o antigo tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Melo. Há uma parte do artigo que me chamou a atenção e explico depois da citação o motivo:

“Ninguém lhe deu combate. A Igreja Católica se calou por concordar com a sua pauta moralista. Sob João 23, os católicos agiram no desmonte da ditadura e na luta por justiça. Com João Paulo 2º e Bento 16, renderam-se à reação evangélica. Não só eles. Parlamentos, escolas, empresas, mídia —a capitulação foi geral. Em nenhum lugar ela foi tão viciosa quanto na política. Cunha foi paparicado por todos os partidos, liderou a maior bancada da Câmara e a presidiu. Sem ele, o impeachment não prosperaria. Agora, para que a derrubada de Dilma aparente ter sido justa, e para que a corriola que a abateu se diga implacável com os corruptos, o Brasil é instado a crer que a cassação de Cunha é histórica. Será festejar, no entanto, um sétimo lugar olímpico. Vejam-se as eleições para prefeito. Em São Paulo e no Rio, vieram da máquina evangélica os candidatos à frente nas pesquisas. Russomanno e Crivella são uns ases, comemoraria PC. A podridão política que gerou Cunha está viva e voa alto.”

A fala do Conti me chamou a atenção para o fato de que o meio em que políticos astutos e corruptos encontram guarida é o meio evangélico. Falei sobre esta trama em um outro artigo aqui do blog (A trama dos evangélicos). Há um silêncio calculado da igreja Católica em relação aos evangélicos e não é medo. É um plano. Nós vamos nos tornar os inimigos nacionais. Em pouco tempo.

A nossa pauta tem sido,  não de todos os evangélicos claro,  muito distante do discurso de amor, tolerância e de amor. Passamos do discurso profético contra a corrupção e amor ao dinheiro, para a declaração pública de que ficar rico é um direito de todo aquele que investe em Deus. 

Passamos  ser tratados como corruptos e amantes do dinheiro fácil. E conseguimos isso em pouco mais de 150 anos de presença no Brasil - bem que estes últimos 30 anos a coisa desandou - Houve uma mudança de perspectiva e prática.  Antes entendíamos que deveríamos cuidar da viúva e do órfão hoje os espoliamos, tiramos o último centavo destes miseráveis com o discurso tresloucado que ser pobre é sinal de maldição, e não o discurso redentor de que a pobreza é fruto do homem caído, e para tanto a remissão por meio de Cristo, não só o liberta como o torna um libertador. 

Pedro disse na sua carta (1Pe 2.12)  [...] “tendo o vosso procedimento bom entre os gentios, a fim de que, naquilo em que murmuram de vós como de malfeitores, considerando-vos pelas vossas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. Hoje somos motivo de escárnio. Somos a parcela maldita da sociedade. Fazemos barulho demais, agredimos demais, gritamos demais, ouvimos de menos, toleramos de menos, somos a cada dia menos afeitos aos diferentes. 

A conclusão que chego é que de fato, infelizmente, nos tornamos uma máquina, uma fábrica de podridão política e geramos tantos outros Cunhas. E ainda voamos alto. No nosso ninho estimulamos nossos irmãos ao pleito eleitoral para se tornarem a nossa voz, pleitear pela nossa fé e olharem com carinho as nossas demandas. Ou na melhor das intenções, dinheiro público para cuidar dos pobres, os pobres membros da igreja!

Queremos, a partir de um discurso com foco no eleitor evangélico, doutrinar uma nação com base no cristianismo protestante-pentecostal usando o congresso nacional. Formulamos leis como se todos fossem cristãos. 

Agredimos a minoria, como se fossemos a maioria. E pasme! Não somos. Ainda somos um povo muito pequeno e quem nos conhece sabe que o total que aparece no final da planilha religião do IBGE, não quer dizer que somos uma massa uniforme. Estamos distribuídos em muitas denominações e em grande parte não nos gostamos. 

Portanto o que Conti diz no seu artigo, tem um fundo de razão. Somos esse balaio de gato louco que ele pintou. No nosso meio há gente da pior espécie que está indo para o campo da política. Também acerta quando diz que a ética evangélica é risível, ele também diz, sem escrever uma letra só, que o Cristo que pregamos não tem nada com a vida que levamos. Este Cristo está mais para um produto para o outro do que para mim. 

E assim vamos... 



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1.     http://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2016/09/1812725-podridao-politica-que-gerou-cunha-esta-viva-e-voa-alto.shtml

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